Build in Public: manual honesto para quem quer começar sem cringe
O guia definitivo para compartilhar seu progresso sem parecer desesperado. Autêntico, sustentável e comprovadamente efetivo.
Alienhub Team
Founder Stories

Tem algo de errado em como a gente fala sobre build in public. Parece que criamos uma persona artificial: o founder que acorda, toma café espresso e posta "bom dia, guerreiros, hoje shipei 3 features" com 15 emojis. Spoiler: ninguém que conhece de verdade funciona assim. Build in public é mais chato, mais honesto e infinitamente mais poderoso que essa narrativa corporativa.
Vou ser direto: se você está considerando começar mas pensa que vai parecer desesperado, ridículo ou que ninguém quer saber da sua jornada — está errado em praticamente todas as contas.
O que é build in public (e o que definitivamente NÃO é)
Build in public significa compartilhar seu progresso, seus fracassos e seus aprendizados enquanto constrói, não depois que "chegou". É abertura de processo. Não é relatório corporativo. Não é performance.
O que NÃO é:
- Postar a cada 4 horas pra ficar no topo do algoritmo
- Fingir que tudo está perfeito enquanto você está na loucura
- Viralizar por viralizar (isso é vaidade, não é estratégia)
- Mendigar validação em público
- Compartilhar demais (senha, contrato, estado emocional do sócio — tem limite)
O que É:
- Falar o que você está testando e por quê
- Mostrar números reais (mesmo que baixos)
- Reconhecer quando errou e o que aprendeu
- Construir relacionamento genuíno com pessoas curiosas como você
- Ganhar feedback antes de gastar 3 meses em feature errada
Pieter Levels, que construiu 12 projetos gerando sete dígitos, começou postando no Twitter como qualquer outro. Não tinha plateia. Tinha curiosidade. Marc Lou, que chegou a 60k MRR com Noko e Status Page, compartilhou cada passo sem filtro. Não era cringe porque era verdade.
Por que funciona (psicologia pura)
Três razões óbvias que a gente ignora:
Feedback rápido: você escreve que está testando "onboarding por video chamada" e alguém comenta "cara, isso não vai funcionar pra meu caso de uso porque X". Você economiza 2 meses de desenvolvimento errado.
Distribuição grátis: em vez de pagar SEM pra chegar em 10 mil pessoas, você constrói uma audiência que checka seu trabalho porque achou interessante, não porque clicou em anúncio. Essa audiência converte melhor porque escolheu estar lá.
Confiança é moeda: quando você conta a história real — "tentei Feature A, falhou porque não entendi meu mercado, pivotar pra Feature B, agora dá — as pessoas acreditam em você. Transparência virou diferencial porque 99% das marcas fingem que nasceram perfeitas.
"A gente ganha valor quando é honesto porque honestidade é rara demais para ser falsa."
Encontrando seu tom autêntico (sem parecer que está forçando)
Aqui está o pulo do gato: seu tom autêntico É seu tom normal. Não é um personagem.
Se você é sarcástico, seja sarcástico. Se você é didático e gosta de explicar frameworks, explique. Se você escreve como fala com amigos (sem gíria forçada), fale assim.
A gente vê muito founder tentando soar como Paul Graham e aí fica artificial. Henrique Lobo, quando estava no início do Leia.app, escrevia de jeito casual, descontraído, contando erros e risadas. Ganhou mais curiosos desse jeito do que qualquer post "profissional" conseguiria.
Teste seu tom em 5 posts. Se estiver exausto criando, está errado. Se estiver tendo vontade de contar histórias, está certo.
O que compartilhar (e o que guardar)
Compartilhe abertamente:
- Número de usuários (mesmo que seja 3)
- Ideias que está testando e por quê
- Aprendizados técnicos e de produto
- Erros honestos ("deveria ter validado antes de codificar")
- Números de receita (acima de mil reais, com contexto)
- Processo de decisão
Não compartilhe:
- Estado emocional frágil de sócio ou time
- Contrato confidencial de cliente
- Números muito baixos (abaixo de 100 reais de MRR é ainda bem embrionário)
- Crítica específica de concorrente
- Dados de usuário (mesmo agregado, tome cuidado)
- Tática que está funcionando TODAY (poste depois que passar a funcionar)
A linha é: "Se isso vazar de forma maliciosa, rodeios me prejudicaria?" Se sim, guarde.
Cadência sustentável (para não queimar)
A gente vê founder postando 5x por dia em semana 1, silencioso em semana 2.
Escolha uma cadência que você aguenta PARA SEMPRE:
- 1 post/thread por semana no Twitter: viável pra quem tem 4-6 horas/semana
- 1 newsletter quinzenal: viável pra quem gosta de escrever mais longo
- 1 post longo mensal + 2-3 tweets: balanço entre presença e qualidade
Pior cenário é desaparecer por 3 meses. Você perde momentum e a história fica sem continuidade. Melhor postar semanalmente que prometer diário e sumir.
Medo do ridículo (e por que ele é infundado)
O maior bloqueador é mental.
Você pensa: "E se alguém disser que minha ideia é ruim?" Resposta: alguém vai dizer. Ótimo. Você aprende ou ignora. A pessoa que critica está investindo tempo em pensar sobre você — esse é tráfego.
Você pensa: "E se ninguém interagir?" Resposta: ninguém mesmo interage com posts genéricos. Mas pelo menos você estará construindo relacionamento com as 7 pessoas genuinamente curiosas.
Daniel Vassallo, que saiu do Amazon e começou do zero publicamente, era meme quando falava de "internet monetization" em 2019. Hoje vende cursos por milhões. O "ridículo" inicial virou credibilidade.
Canais: escolher o certo importa
Twitter/X: melhor pra growth rápido, algoritmo favorece takes honestos, comunidade de founders grande, mas é barulhento e vira droga.
LinkedIn: público mais corporativo, menos barulho, conversas mais longas, mas algoritmo é mais opaco. Bom se seu ideal customer está lá.
Newsletter: propriedade total da audiência, contexto longo favorece nuance, conversão altíssima, mas crescimento é lento no início. Bom pra loyalty. Pior pra distribuição.
Blog pessoal: documentação permanente, bom pra SEO, mas zero distribuição inicial. Use como complemento.
Recomendação: comece em 1 lugar. Twitter ou newsletter. Excele lá. Depois replica.
Checklist: pronto pra começar amanhã
- Defini um tom que não me exausta copiar
- Escolhi 1 canal (Twitter ou newsletter)
- Decidi uma cadência realista (1x/semana? 2x/mês?)
- Preparei 3-5 tópicos que posso escrever
- Entendi que "feio mas honesto" > "polido mas vazio"
- Aceitei que vai parecer estranho os primeiros 10 posts
- Lembrei que a gente cresce ouvindo gente real, não persona
- Cometi a coragem de ser específico em vez de genérico
Build in public não é performance de êxito. É convite aberto pro seu processo. Quanto mais honesto você for, mais gente vai achar que vale a pena acompanhar.
A gente da Alienhub vive isso na pele todo dia — construindo em público, errando em público, aprendendo em público. Se está pensando em começar, bem-vindo ao lado real do entrepreneurship.
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